Mãe Natureza –I
Oh! Natura, deusa das deusas!
Seja louvado teu ventre matricial,
Criador da Géia!
Seja louvado o fluído candente
que verte de teu sagrado útero,
no qual vivemos e no qual nos purificamos.
Seja feita tua vontade nas terras, nos mares e ares.
Seja amado cada fruto frutescido de teu âmago,
mesmo que esse pomo seja o homem,
que, traidor de suas origens, tenha criado Deus,
tornando-se matricida, olvidando teus seios maternais,
relegando-a ao esquecimento. Levi Leonel de Souza - junho de 1997
Mãe Natureza - II
Mãe nossa que sois o orbe celeste
e as entranhas mais sombrias do chão,
santificado seja teu reino
feito de rocha, de fogo,
de brisa, de água e de homem.
Mãe minha, cujo nome trombeteia
em minhas muralhas, pacientemente,
a esperar que eu me reconheça em ti
e tu possas devotar-me
reconhecimento filial.
Assim, mãe eterna e imortal,
seja feita tua vontade!
Que tua vontade seja
o suporte e o germe da minha.
Levi Leonel de Souza - dezembro de 1998
Mãe Natureza - III
Homenagem à bailarina Nájua.
Há muito tempo,
na madrugada desta era,
a Senhora dos Elementos empunhou
a sagrada espada da virtude
e dançou sobre as areias da Mãe Terra.
Bebeu das nascentes míticas
da Deusa Montanha
deixou seu âmago ser lavado
pelo fluido telúrico
do ventre da rocha.
Forjou o áurico peito
em chamas ardentes
e neste fogo alquimizou
suas paixões mais recônditas,
Deixou-se transportar
para etéreos rincões do elemento ar,
pairou por sobre todas as criaturas,
alentou todos seus conheceres.
E por fim descansou entre os homens
embalando-os ao som da música
de seu sagrado corpo,
Instalou-se no mais íntimo de cada ser.
e pelos eons vai
apaixonando amantes,
inspirando poetas,
extasiando filósofos,
ou simplesmente
soprando alento em cada ser.
Levi Leonel de Souza - março de 1999